Nova Visão Sobre os Relacionamentos"


Nova Visão Sobre os Relacionamentos"


Observei com os seres humanos.
Vocês já viram marido e mulher na rua?
Você pode não saber se eles são casados, mas, se ambos estiverem tristes, pode estar certo de que são.
Que tipo de amor é esse, que está sempre suspeitando, sempre com medo do ciúme?
O amor é um dos fenômenos mais misteriosos.
Almustafá está falando sobre esse amor.
Você não pode se entediar, porque ele não é sensualidade.
Almustafá diz: Deixem que haja espaços na união entre vocês.
Fiquem juntos, mas não tentem dominar, não tentem possuir e não destruam a individualidade do outro.


Se vocês moram juntos, deixem que haja espaços...
O marido chega tarde em casa; não há motivo, não há necessidade para a esposa indagar onde ele esteve, por que ele veio tarde.
Ele tem seu próprio espaço, ele é um indivíduo livre.
Dois indivíduos livres estão vivendo juntos e não transgridem o espaço um do outro. Se a esposa chega tarde, não há necessidade de perguntar:
"Onde você esteve?"
Quem é você?
Ela tem seu próprio espaço, sua própria liberdade.


Mas isso está acontecendo todos os dias, em todos os lares.
Eles brigam por causa de picuinhas, mas, no fundo, o ponto é que eles não estão dispostos a permitir que o outro tenha o seu próprio espaço.


Os gostos são diferentes.
Seu marido pode gostar de algo que você não gosta.
Isso não significa que este seja o começo de uma briga, de que por serem marido e mulher seus gostos deveriam também serem os mesmos.
E todas essas questões...
Passa na mente de todo marido que volta para casa:
"O que ela vai perguntar?
Como vou responder?"
E a mulher sabe o que ela vai perguntar e o que ele vai responder, e todas essas respostas são falsas, fictícias.
Ele a está enganando.




Observei todos os tipos de animais.
Vivi em florestas, em montanhas, e constantemente ficava perplexo: sempre que eles tinham relações sexuais, pareciam muito tristes.
Nunca vi animais tendo relações sexuais com alegria; é como se alguma força desconhecida os estivesse pressionando a fazer aquilo.
Não é a partir de suas próprias escolhas, de suas liberdades, mas de suas escravidões.
Isso os deixa tristes.
Se a mulher o vê com outra mulher, rindo e conversando, isso é suficiente para destruir toda a sua noite.
Você se arrependerá; isso é demais para uma pequena risada.
Se o marido vê a esposa com outro homem e ela parece estar mais alegre, mais feliz, isso é suficiente para criar um tumulto.

As pessoas não estão cientes de que não sabem o que é o amor.
O amor nunca suspeita, nunca é ciumento, nunca interfere na liberdade do outro, nunca se impõe ao outro.
O amor dá liberdade, e a liberdade é possível somente se houver espaços na união entre vocês.

Essa é a beleza de Kahlil Gibran... um imenso discernimento.
O amor deveria ficar feliz ao ver a esposa feliz com alguém, porque o amor deseja que ela seja feliz.
O amor deseja que o marido seja alegre.
Se ele estiver simplesmente conversando com uma mulher e se sente alegre, a esposa deveria ficar feliz, e aí não cabem desavenças.

Eles estão juntos para tornarem as suas vidas mais felizes, porém justamente o oposto acontece.
Parece que o marido e a mulher estão juntos apenas para tornar a vida um do outro infeliz, arruinada.
A razão é: eles não entendem nem mesmo o significado do amor.

Mas deixem que haja espaços na união entre vocês...
Isso não é contraditório.
Quanto mais espaço vocês derem um ao outro, mais juntos estarão.
Quanto mais vocês permitirem a liberdade um do outro, mais íntimos serão.
Não inimigos íntimos, mas amigos íntimos.

E deixem que os ventos do céus dancem entre vocês.
Esta é uma lei fundamental da existência: estar juntos demais, não deixando espaço para a liberdade, destroça a flor do amor.
Você a esmagou, não lhe deu espaço para crescer.

Os cientistas descobriram que os animais têm um limite territorial.
Você deve ter visto cães urinando nesse e naquele poste.
Você acha que isso é inútil?
Não é.
Eles estão traçando os limites — "este é meu território."
O cheiro de sua urina impedirá que um outro cachorro entre ali.
Se um outro cachorro chegar perto do limite, o cachorro a quem o território pertence não se importará; porém, apenas um passo a mais e haverá briga.

Todos os animais selvagens fazem o mesmo.
Até um leão, se você não cruzar a fronteira dele, ele não o atacará — você é um cavalheiro.
Mas, se você cruzar a fronteira dele, não importa quem você seja, ele o matará.

Ainda precisamos descobrir os limites territoriais dos seres humanos.
Você já deve ter sentido esses limites, mas eles ainda não foram cientificamente estabelecidos.
Ao andar num trem metropolitano, numa cidade como Mumbaim, o trem fica lotado... as pessoas estão em pé, muito poucas conseguem se sentar.
Observe as pessoas que estão em pé — embora elas estejam muito próximas, estão tentando de todas as maneiras não tocarem umas nas outras.

À medida que o mundo fica mais superpovoado, mais e mais pessoas ficam insanas, cometem suicídio, assassinatos, pela simples razão de não terem espaço para si mesmas.
Pelo menos as pessoas que amam deveriam ser sensíveis; saber que a esposa precisa de seu próprio espaço, da mesma maneira que você precisa de seu próprio espaço.

Um dos meus livros mais estimados é o de Rabindranath Tagore, Akhari Kavita, "O Último Poema".
Ele não é um livro de poesia, e sim um romance, mas um romance muito estranho, muito penetrante.

Uma jovem e um homem se apaixonam e, como costuma acontecer, imediatamente querem se casar.
A mulher diz: "Somente com uma condição..."
Ela é muito culta, muito sofisticada e rica.

O homem diz: "Qualquer condição é aceitável, mas não posso viver sem você."
Ela diz: "Primeiro ouça a condição, então pense a respeito.
Não se trata de uma condição comum.
A condição é que não viveremos na mesma casa.
Tenho muitas terras, um lindo lago circundado por árvores, jardins e prados.
Numa margem do lago farei uma casa para você, exatamente do lado oposto à minha."

Ele perguntou: "Então, qual é o sentido do casamento?"
Ela respondeu: "Assim, o casamento não nos destruirá.
Estou lhe dando o seu espaço, eu tenho o meu próprio.
De vez em quando, ao caminharmos no jardim, poderemos nos encontrar.
De vez em quando, andando de barco no lago, poderemos nos encontrar — acidentalmente.
Ou, algumas vezes, posso convidá-lo para tomar chá comigo, ou você pode me convidar."

O homem comentou: "Essa é uma ideia muito absurda."
A mulher disse: "Então, esqueça o casamento.
Essa é a única ideia correta; somente assim nosso amor poderá continuar a crescer, porque sempre permaneceremos frescos e novos.
Nunca tomaremos o outro como algo garantido.
Tenho todo o direito de recusar sua proposta, como você tem todo o direito de recusar a minha; em nenhuma das maneiras as nossas liberdades serão desrespeitadas. Entre essas duas liberdades cresce o belo fenômeno do amor."

É claro que o homem não conseguiu entender e abandonou a ideia de casamento.
Rabindranath tem o mesmo discernimento que Kahlil Gibran... e eles escreveram praticamente na mesma época.

Se isso for possível, ter espaço e ao mesmo tempo convivência, os ventos dos céus dançam entre vocês.

Amem um ao outro, mas não tornem o amor uma obrigação.
Ele deveria ser uma dádiva gratuita, dada ou recebida, mas não deveria haver exigências.
Do contrário, muito em breve você estarão juntos, mas tão separados quanto estrelas distantes.
Nenhum entendimento criaria uma ponte entre vocês; você não deixou espaço nem mesmo para a ponte.

Ao contrário, deixem que ele seja um mar em movimento entre as praias de suas almas.

Não o torne algo estático, não faça dele uma rotina.
Ao contrário, deixem que ele seja um mar em movimento entre as praias de suas almas.

Se a liberdade e o amor puderem ambos serem seus, você não precisará de mais nada. Você conseguiu aquilo para o qual a vida lhe foi concedida.

Kahlil Gibran
Osho, em "Amor, Liberdade e Solitude: Uma Nova Visão Sobre os Relacionamentos"
www.palavrasdeosho.com

Nenhum comentário:

Marcadores